Pré-candidata a presidente, Marina silva não quer ser entendida como candidata de religiosos

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Já pensando nas Eleições 2018, a ex-senadora pelo Acre, ex-ministra de Lula e fundadora da Rede, Marina Silva, lançou oficialmente neste final de ano, o seu nome como pré-candidata à presidência da República. Essa será a terceira vez que ela concorre ao cargo, sempre por partidos diferentes.

Em 2010, ainda filiada ao PV, ela fechou a apuração com 19,6 milhões de votos (19%), ficando de fora do segundo turno. Quatro anos depois, Marina estava no PSB, como vice de Eduardo Campos, que morreu em acidente aéreo. A candidata entrou tardiamente na disputa e causou mudanças no cenário eleitoral. As pesquisas chegaram a colocá-la empatada com Dilma no primeiro turno e vencedora no segundo, mas o resultado final foi diferente. Ela teve 22,1 milhões de votos (21%).

Esse ano, Marina confirmou que sairá pela Rede, partido que conta com deputados federais advindos de outras siglas, como PT (Alessandro Molon) PCdoB (Aliel Machado e João Derly) PROS (Miro Teixeira) e Randolfe Rodrigues, único representante da REDE no Senado, que era ligado ao PSOL.

Seu partido ainda não escolheu quem sairá como candidato a vice, nem nas possíveis composições, mas isso é algo que deverá ser anunciado até agosto do próximo ano. Na carta que foi lida em dezembro, como um documento de anúncio oficial, foram destacados os pontos principais da pré-candidatura: o equilíbrio fiscal, os avanços sociais e o desenvolvimento sustentável.

Parte do texto assegura: “O Brasil está atravessando um momento muito difícil, não por falta de meios ou potencial para o desenvolvimento estável e sustentável, mas pela derrocada do sistema político como fonte de liderança, credibilidade, representatividade e propostas agregadoras e viáveis para sair da crise e ir adiante”.

A REDE fez muitas críticas ao atual governo, manifestando-se contra as reformas propostas pelo presidente Michel Temer, como a reforma da Previdência. Sem citar partidos nem políticos pelo nome, ignorou as denúncias contra o PT, preferindo-se concentrar na aliança de partidos que dão sustentação ao atual governo.

A carta diz “Não aceitamos mais como regra da ação política o conluio que coloca o patrimônio de toda a sociedade a serviço de interesses individuais ou de grupos. Sem falar daqueles que assaltaram – e dos que continuam assaltando – os cofres públicos para enriquecimento próprio ou para irrigar seus projetos de poder, e que, com impressionante cinismo, falam hoje em ‘reformas imprescindíveis’ para ‘salvar o país’”.

O texto diz também que a REDE está aberta a coligações com partidos que tenham “protagonismo ético, compromissos sociais e ambientais”.

As Posições de Marina

Marina da Silva é evangélica há 20 anos, mas desde a última eleição vem tentando afastar a imagem de religiosa. Em 2015, quando questionada sobre as lutas da comunidade LGBT, fez questão de deixar claro: “Eu tenho minhas convicções religiosas, mas vivemos em um Estado laico que garante os direitos dos que creem e dos que não creem”.

Em uma entrevista ao jornalista William Waack, na Rede Globo, Marina disse que seu partido defende “a união civil entre pessoas do mesmo sexo” que ela não chama de casamento. Com medo de ser comparada à bancada evangélica – que tem posturas que Marina não concorda – a ex-senadora se mostrou defensora do Estado laico.

Durante um encontro com lideranças evangélicas na campanha passada, Marina afirmou que não usaria sua religião para se eleger. “Há uma visão equivocada de que pelo fato de eu ser evangélica iria transformar os púlpitos das igrejas em palanques e os palanques em púlpitos”.

No site da REDE existem diversos vídeos onde são explicadas as convicções do partido e da própria Marina, inclusive sobre o aborto. Num deles, ela afirma: “Eu não defendo, porque eu defendo a vida. Mas não acho que uma mulher que teve que lançar mão de uma situação extrema como essa deva ir para cadeia. Uma pessoa como essa precisa de acolhimento. Precisa de todo o respeito em relação a sua condição e, a maioria das pessoas que fazem essa escolha, elas pagam um preço emocional muito grande na maioria das vezes”.

A ex-senadora também é sabidamente a favor do desarmamento e contra a redução da maioridade penal. Com informações das agências e REDE

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