Conheça a história da Ação Evangélica e os momentos mais importantes em mais de 75 anos

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Com celebração oficial a cada mês de maio, a igreja Ação Evangélica (ACEV) foi fundada em 1938 pelo Pr. Eduard Mundy e a sua esposa Dora que vieram da Inglaterra ao Brasil naquele ano, com a difícil missão de evangelizar o interior do Nordeste Brasileiro. Pastor Eduard nasceu no dia 19 de Julho de 1904 em Tytherly, cidade localizada no sul da Inglaterra, sendo de família grande, humilde e de classe operária.

Quando chegou à idade de trabalhar, começou sua experiência com o trabalho nas fazendas da região. Edward Mundy converteu-se ao evangelho de Jesus Cristo no dia 27 de Fevereiro de 1923, numa Igreja Metodista, quando uma pregadora chamada Greta, visitava aquela zona rural e ouviu para ele, a mensagem pela janela da Igreja através da pregadora.

Já no ano de 1931, Eduard sentiu o chamado de Deus para servir ao Senhor no Brasil, ideia esta que contou com a resistência da sua esposa Dora, cujo conflito persistiu por cerca de alguns anos, até chegar 1938, quando Eduard foi acidentado duas vezes num período de cinco semanas. Primeiro, foi com uma serra elétrica que cortou severamente os músculos de um braço, e depois ele quase morreu de uma queda de cavalo, permanecendo inconsciente durante vários dias, e dentro desse período a sua esposa disse a Deus que se Ele restaurasse o seu esposo então ela aceitaria ser missionária ao lado dele no Brasil.

Assim, chegou o momento de Deus em 20 de Agosto de 1938, quando o casal Mundy partiu do porto de Southampton na Inglaterra (o mesmo porto de onde partiu o Titanic) no navio

Pr. Edward e Missionária Dora no embarque para o Brasil

Almanzora às 11.00 horas da manhã com destino a Recife, cuja chegada aconteceu em 02 de setembro de 1938. No Brasil, eles permaneceram na capital pernambucana por um ano e três meses aprendendo a língua portuguesa e evangelizando na região, indo em seguida para Garanhuns, onde foram recebidos por uma família sueca no início dos anos 40, e permaneceram por um ano. Durante este período, a Segunda Guerra Mundial começou e complicou bastante a vida dos missionários por causa das dificuldades que surgiram em relação ao envio de sustento para eles da sua terra natal.

No inicio de 1940, os Mundys mudaram para Princesa Isabel para estabelecer a primeira sede da ACEV, na época com o nome de Primeira Igreja Pentecostal, conhecendo o senhor José Soares, pai da missionária Xandú Soares, que por muitos anos ficou a frente da Igreja Filadélfia Pentecostal da cidade de Patos. Com a visão de evangelizar os lugares mais difíceis do interior, razão pela qual o trabalho não começou por Patos, onde se estabeleceu anos mais tarde a presidência do ministério, Edard e Daise Mundy começaram o trabalho por Princesa Isabel (1942) e Flores-PE (1945). Em Princesa, o padre local anunciou que

Local de culto do Trabalho nos anos 50, antes da construção do templo atual

confiava na Virgem Santa que o evangelho nunca entraria em Princesa Isabel. Mas entrou! O padre amaldiçoou o Pastor Eduard e incentivou o povo a acabar com ele. Entretanto, um delegado crente que havia sido enviado à Princesa Isabel um mês antes, sob a providência divina, deu proteção policial aos missionários. Mesmo com algumas decisões a perseguição continuou muito forte.

No dia 2 de Janeiro de 1943 nasceu o primeiro filho dos Mundys, Geraldo, depois de 17 anos de casados. Entretanto, a felicidade durou pouco porque o menino morreu com disenteria aos seis meses de idade. Em 17 de Agosto de 1944, o seu segundo filho, Graham, nasceu. Quando ele também adoeceu os seus pais o levaram para a Inglaterra. Chegaram lá em Janeiro de 1945 num período de intenso frio e guerra. Lá nasceu a primeira filha, Ruth. Pastor Eduardo, esposa e dois filhos voltaram ao Brasil por avião no dia 20 de Setembro de 1946. Um mês depois a sua filha morreu.

No ano seguinte, Pastor Eduardo Mundy começou a expandir o trabalho da ACEV para

Pr Frank e Pr. Edward realizando batismos por volta de 1970

outras cidades, apesar da perseguição. Trabalhos foram iniciados em Patos, Teixeira, Serra Grande e Misericórdia (hoje Itaporanga) e em Junho de 1948 o Pastor Eduardo mudou a sede da Missão para Patos que tinha na época uma população próxima a 48 mil habitantes. 1949 foi um ano que viu a chegada de reforços da Inglaterra para ajudar a Missão no Brasil. Em 27 de Janeiro, chegou o irmão Bernard Snelgrove e em abril chegaram Frank e Ivy Dyer, que trabalharam conjuntamente por mais de um ano. Em julho de 1950 chegaram mais dois casais: Albert e Mary Peasley; e Gordon e Jaqueline Emmens. Os Peasleys foram trabalhar em Conceição e os Emmens no Ceará, e assim, o trabalho ia crescendo.

Os Dyers viram a sua primeira filha, Elizabeth, nascer em Patos, antes de partir para morar em Princesa Isabel onde seu filho Samuel nasceu. Todos os missionários viajaram

Construção do telhado da igreja, no início da década de 60

muito em cima de caminhões, animais e bicicletas. Numa carta de 1951, o Pastor Frank relata uma viagem evangelística de Princesa Isabel à Carnaúba de bicicleta que levou 5 horas e meia. Porém, até 1956, Bernard Snelgrove e os Emmens já tinham ido embora. Os outros permaneceram, apesar de muita oposição e ameaças, e o evangelho ia sendo espalhado para a glória de Deus.

À medida que o Evangelho ia sendo divulgado nos sertões, pessoas iam se convertendo, embora que o avanço da igreja evangélica era muito difícil e lento. Aos poucos, lideranças brasileiras iam surgindo para fortalecer o trabalho, que já tomava forma brasileira em toda a área de atuação da ACEV na Paraíba, Pernambuco e no Ceará. Entre eles, destaque para Zacarias Salvador Pereira, José Paulino, Manoel Roberto das Chagas, José Pereira, Manoel Soares, José Soares, Manuel Lourenço, e Antônio Ferreira (Pirambeba), além do

Pr. Edward, Miss. Dora e o seu filho Graham, na década de 50

Diácono Vicente de Paula Conserva, Diácono Manoel Clementino, Presbítero Cesário de Paula Conserva e a Missionária Alexandrina Soares (Xandú Soares, posteriormente fundadora da Igreja Filadélfia Pentecostal).

Em quase 20 anos de evangelização, a ACEV já contava com trabalhos em três estados nordestinos. Em Pernambuco, havia igrejas e congregações em Serra Talhada, Flores, São José do Egito, Tabira, e Jasmim. No Ceará, havia trabalhos na região de Juazeiro do Norte e na Paraíba em Princesa Isabel, Patos, Serra Grande, Tavares, Boqueirão dos Cochos, São José das Caianas, Manga dos Bois, Itaporanga e Conceição.

Em 1958, começou um terrível e intenso período de perseguição em Patos. Padre Dutra e Frei Damião eram figuras chaves na incitação à violência contra os evangélicos. Eram dias que exigiam muita coragem para ser crente, mas pela graça de Deus, o trabalho

Natal de 1950, no primeiro endereço da ACEV, na época Primeira Igreja Pentecostal

continuou firme. Todos os jornais, relatando os acontecimentos desta época de perseguição intensa, estão guardados nos arquivos da ACEV. A violência só diminuiu quando as autoridades britânicas tomaram conhecimento da violência através de um missionário canadense, Dionísio Pape, que passou por Patos. As autoridades Britânicas comunicaram-se com a Policia Federal Brasileira e tudo mudou.

Cartas de 1959 falam dos pastores Eduardo e Frank pregando em lugares como Tavares, Água Branca, Santa Terezinha, Imaculada e Juru. Em 1960, eles foram à Brasília, que estava em construção, para examinar a possibilidade de iniciar uma Igreja lá também. Foi em 1963, que o templo atual começou a ser erguido, depois de algum tempo realizando os cultos na Rua da Baixa, conhecida a época como Rua do Mosquito e na Rua do Prado, em um pequeno espaço próximo onde fica a sede do ministério nos dias atuais.

Esta foi a primeira liderança da ACEV. Em pé:Evengelista Manoel Roberto; Irmão Clementino; Graham Mundy; Cesário; Maria, Mãe de Jacinete e a Missionária Xandú Soares. Sentados: Missionária Ivy; Pastor Frank; Pastor Edward e Irmão Inácio, pai de Josinete.

Em 1961, os Missionários Peasley saíram da ACEV e a irmã Dora voltou à Inglaterra devido a sua má saúde. Naquele tempo, foram 23 anos de perseguição e trabalho árduo, a semente da Palavra e do amor de Deus foi plantada para chegar a este ponto no ministério da Primeira Igreja Pentecostal, (ACEV). É importante entender que o crescimento da ACEV, como todo trabalho no sertão nordestino, não seguia uma linha reta de progresso constante. Havia várias situações em que igrejas foram estabelecidas, mas com a seca, fenômeno frequente no Nordeste, os membros foram embora, e a igreja ficou dizimada.

Após a morte do Pastor Eduardo, num acidente de trânsito em Recife, no dia 3 de Março de 1971, o Pastor Frank Dyer assumiu a presidência do ministério. Homem corajoso e com medalhas por bravura da 2ª guerra mundial, Frank trabalhava para o Senhor com calma e humildade e muita mansidão. Pastor Frank foi um homem exemplar de fé e fidelidade Cristã. Em 1972, veio o Pastor John Medcraft, a sua esposa Elizabeth, e filha Deborah ao Brasil, para reforçar a liderança da ACEV, e cooperar com o seu desenvolvimento. E em

Evangelismo na cadeia de Conceição nos anos 70. Missionária Ivy e evangelista Zacarias, no comando

1973, o estatuto da igreja foi aprovado, sendo a sua diretoria eleita para um mandato de quatro anos. Quando o Pastor Frank faleceu no dia 8 de Novembro de 1987, Pastor John assumiu a presidência da ACEV, havendo sido esse o tempo em que ocorreu a mudança oficial de nome do ministério, que passou a denominar-se Ação Evangélica e não mais Primeira Igreja Pentecostal.

Em 1973 a ACEV havia sido formalmente registrada como entidade brasileira independente, mas o estatuto deixou muito a desejar. Hoje a ACEV continua sob a presidência do Pastor John Medcraft (agora naturalizado brasileiro), eleito nas Convenções da Missão, e um crescente número de pastores e missionárias.

A ACEV hoje tem igrejas animadas e avivadas e anti-legalistas, que enfatizam a importância da exposição Bíblica, o louvor a Deus atualizado e sem medo de ser brasileiro. A prática do Evangelho integral com um grande número de projetos de ação social é outra marca da ACEV. Em 1994, a ACEV foi reconhecida como utilidade pública municipal na sua cidade sede em Patos, e como utilidade pública estadual da Paraíba em 2004. A ACEV também faz parte das seguintes redes evangélicas nacionais: RENAS (Rede Evangélica

Templo atual, amplamente reformado

Culto de 75 anos da ACEV comemorado em 2012

Nacional de Ação Social), Mãos Dadas (trabalhando com crianças carentes e em situações de risco), e FALE (uma rede evangélica de defesa de direitos). A ACEV trabalha também em parceria com a EAB (a missão que fundou a ACEV) e Tear Fund (Reino Unido).

Genival Junior-Com informações acevbrasil.org.br